Vivi

Vivi
essa sou eu, mais ou menos, na verdade essa é a Vivi...

sexta-feira, 11 de março de 2011

A CENTOPÉIA QUE SONHAVA



Lá ia a centopéia pensando com seus botões.
“Mas que vontade de voar”, pensou ao ver a andorinha lá no alto.
“Mas que vontade de nadar”, pensou ela, quando viu o peixinho vermelho fazer maravilhas dentro da água.
“E cantar como o curió”, que dobra suas notas que é uma beleza!
É, mas centopéia não voa, não nada e nem canta, concluiu com tristeza.
“Tenho que me conformar e ficar andando com minhas cem perninhas e ainda achar bom”.
Aí ouviu uma vozinha que chegava do alto de uma árvore, era a andorinha que lhe disse:
– Dona Centopéia, estou vendo que a senhora tem vontade de voar.
– É verdade — respondeu –, mas não posso, não tenho asas, só tenho perninhas, que servem para andar mas não para voar.
– Mas a senhora pode voar comigo, nas minhas costas!
– Será mesmo que posso realizar esse sonho, ir lá em cima, nas nuvens, ver tudo do alto?
– É claro que pode, venha!
Mais que depressa a centopéia subiu nas costas da andorinha, que saiu voando.
Em poucos instantes já estava lá no alto. Era uma maravilha ver tudo ficar pequeno ali embaixo.
Como o mundo era grande lá de cima, e bonito, azul, e que ventinho gostoso ela sentia.
Nem teve medo, de tão animada que estava com a experiência.
“Devo ser a primeira centopéia do mundo a voar”, pensou ela com suas perninhas.
– Vamos descer, dona Andorinha, é emoção demais. E desceram.
– Quando quiser voar de novo é só falar — disse a andorinha, e sumiu no céu como um raio.
“Voar foi possível”, pensou a centopéia. “Mas nadar não tem jeito, aí só sendo peixe mesmo.”
Ela, então, ouviu outra vozinha que vinha da água.
– Ei, dona Centopéia, a senhora tem vontade de nadar? Ir lá no fundo e descobrir um outro mundo colorido?
– Mas como, seu Peixinho? Será possível? Não vou morrer afogada?
– Não — disse o peixinho –, a senhora sobe nas minhas costas, se agarra direitinho e prende a respiração por uns minutos, boca fechada e olhos bem abertos. Vai dar certo. — E deu mesmo.
A centopéia subiu nas costas do peixinho, prendeu a respiração e… foi outra maravilha!
Como era bonita a água azul, limpa, cheia de outros peixinhos coloridos.
A centopéia levou um susto enorme quando apareceu um peixão.
“E se ele pensar que sou uma minhoca?” Mas não pensou. Nadar era uma maravilha. A vida debaixo da água é outra coisa. Mas só para quem consegue prender a respiração por bastante tempo, e ela já estava aflita
para subir. E subiram.
– Obrigada, seu Peixinho, foi uma beleza!
– Quando quiser nadar de novo é só falar — disse o peixinho.
– Mas tenho outra surpresa para a senhora.
O peixinho pegou uma conchinha, amarrou num barbante fino e disse:
– Suba, dona Centopéia, vamos correr por cima da água!
E saiu nadando, puxando a centopéia a uma velocidade incrível. Foi o máximo!
É, a coisa estava ficando boa. Ela, uma simples centopéia, já havia voado e nadado, e não tinha asas nem era peixe!
Mas cantar como o curió, isso sim que não podia nem deveria haver jeito.
Não tinha voz, não sabia produzir uma melodia.
Mas de novo a centopéia ouviu uma voz, que desta vez vinha lá do alto de uma laranjeira.
Era o curió, que dizia:
– Olha, dona Centopéia, cantar a gente aprende. Tem gente que sabe  educar a voz e canta que é uma beleza. Mas eu tenho uma coisa melhor que cantar: é tocar uma flautinha.
– Como pode ser isso, seu Curió?
– Eu faço uma flauta de bambu bem feitinha, ensino as notas para a senhora e aí podemos tocar e cantar juntos.
– Essa eu nem acredito.
– Mas vai acreditar.
E o curió fez uma flautinha com um som muito doce e bonito.
A centopéia ficou tão entusiasmada com as aulas que aprendeu logo.
Ela tocava bonito, e todos os bichos da floresta iam ouvir a centopéia flautista.
A centopéia agora tinha um último desejo: pular de galho em galho lá no alto das árvores da floresta.
Mas como, se não conseguia nem dar uns saltinhos aqui na terra?
Foi quando chegou o macaco, com um riso bem esperto nos lábios.
– Se a senhora quiser saltar, é só subir aqui nas minhas costas e se segurar bem.
– Claro que quero! Vai ser muito divertido ir saltando por aí de galho em galho!
E foi uma algazarra. O macaco pulando, gritando e rindo, com a centopéia agarradinha nas suas costas. Parecia um circo, o macaco era mestre no salto.
A noite foi chegando e a centopéia estava muito feliz com todas as aventuras daquele dia.
De repente se deu conta do que havia acontecido:
ela não sabia que tinha tantos amigos na floresta e que tudo o que ela não conseguia fazer sozinha ela podia fazer com a ajuda dos outros bichos.
Podia voar sem ser pássaro, nadar sem ser peixe, cantar sem ter voz e pular sem ter pernas e braços de macaco.
– Quem tem esses amigos pode tudo — concluiu ela.
“ JUNTOS VAMOS MUITO LONGE !”



quarta-feira, 2 de março de 2011

A complicada arte de ver por Rubens Alves

   Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004

domingo, 20 de fevereiro de 2011

EM MARÇO....

Olá queridos amigos, estivemos temporariamente fora do ar, numa outra estação, invandindo galaxias e mundos deconhecidos, porém de volta ao planeta dos macacos, infromamos que em Março retornamos com tudo.....Muitas histórias, muita imaginação.....

Beijo grande

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O BORDADO ENCANTADO - FINAL

Dali avistou um castelo de cristal.
Tomou um banho no riacho, e enquanto se aproximava,
ouvia um canto delicado, vindo de um jardim onde
graciosas jovens bordavam.
Espantadas com o relincho do cavalo,
as moças cercaram o rapaz com muitas perguntas.
Envaidecido com tantas atenções, ele nem se lembrou da falta dos dentes.

A Rainha das Fadas saiu do castelo e veio falar com o estranho.
- O que o traz ao nosso reino, forasteiro?
- Procuro o bordado de minha mãe.
- O vento tomou-o emprestado.
- Emprestado?
- Sim. Quando alguém cria uma técnica nova,
as fadas são obrigadas a aprendê-la para inspirar outras bordadeiras.
Falta saber como ela bordou as águas do lago e como conseguiu tão
belos tons de vermelho no horizonte.
- Quanto tempo ainda demoram?
- Não mais de dois dias e serás nosso hóspede.
Temos, porém, uma condição, meu jovem: do reino,
só poderá levar o bordado e boas lembranças.
Somente as fadas podem viver nesse reino.

A fada de vermelho se apaixonara à primeira
vista pelo rapaz e ele por ela.
Para se consolar, a moça resolveu aplicar uma pequena
fada de vermelho no bordado para que o amado se lembrasse
dela toda vez que o olhasse.
"Por que não era como os humanos, não impedidos de amar?"

Antes mesmo do dia clarear,
o rapaz pegou o cavalo e preparou-se para partir,
levando apenas o bordado e a dor da separação.


No retorno, as vagas do mar, o frio das geleiras,
o calor das labaredas não ameaçaram o moço.
A velhinha, o recebeu feliz.
- Estou orgulhosa de você.
Arrancou os dentes do cavalo devolvendo ao jovem.
- Agora você vai calçar essas sandálias mágicas
e estará em cada num minuto.
Sei que seu coração chora, mas lembre-se de que
NUNCA SABEMOS O QUE PODERÁ NOS OCORRER.

Ao chegar na aldeia onde morava,
uma vizinha veio falar-lhe:
- Sua mãe não se alimenta, não fica mais de pé,
não sai da cama dia e noite.
O moço, desenrolando o bordado, gritou:
- Olhe minha mãe, olhe seu bordado!
Consegui trazê-lo de volta!
- Vamos para fora - falou a mãe, já fortalecida.
- Finalmente poderemos admirar o bordado em paz.

Um inesperado vento, porém, surgiu novamente no auge
dos festejos e arrancou o bordado das mãos da mulher.
Só que desta vez, assim que ganhou altura,
o bordado ficou parado no céu, aumentando aos poucos de
tamanho até recobrir a aldeia.
E cada pedacinho ganhava vida, transformando o pobre vilarejo
num lindo, feliz e rico povoado.
- É um milagre! Um verdadeiro milagre!
- repetiam todos.

Feliz, o filho da viúva saiu correndo pelos imensos campos de flores,
achando o lugar tão belo como o da montanha encantada.
Pôs-se a chorar e lembrar da amada e foi ao lago na esperança
de encontrar consolo na placidez de suas águas.
De lá saiu uma jovem parecida com a fada de vermelho.
- ....quando tudo ganhou vida, a imagem que eu bordei também se tornou real.
Assim, estou aqui, sem ter saído de lá.
O jovem tomou a amada nos braços e a pediu em casamento.
E foram felizes naquela aldeia, iluminada todo final de tarde
pelo brilho de um sol avermelhado.

Os dois irmãos...dizem que vagam até hoje por ai.


Edmir Perrotti...Col. Lua Nova, Paulinas, 1998 Prêmio Jabuti 1997

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O BORDADO ENCANTADO

1ª parte

Uma bordadeira viúva, muito pobre,
deparou-se certo dia com um trabalho de grande perfeição
e desejou criar outro igual...

O BORDADO ENCANTADO

...a partir de então, depois de dedicar-se até tarde aos trabalhos que vendia no mercado, avançava noite adentro, tentando dar forma a seus sonhos.

Iluminada apenas por uma tocha que exalava tênue mas irritadiça fumaça,
seus olhos arderam e verteram copiosas lágrimas.
Então ela teve uma idéia:
Reteria as lágrimas no lago da paisagem que estava bordando.
Mas a irritação foi piorando e chegou a um ponto tal que tingiu de sangue
as lágrimas da obstinada mulher.
Assim que conseguiu terminar o trabalho,
a viúva mostrou-o aos filhos que ficaram maravilhados.
O bordado era tocado por um sopro mágico.

Como a mãe teve forças para realizar semelhante tarefa?

Para ver o bordado sob os primeiros raios de sol,
a viúva foi para fora, seguida pelos filhos.
Aos poucos, toda a aldeia juntou-se a eles e não houve quem não se
Surpreendesse com a beleza radiante que tinham diante de si.

No auge da festa...
um forte vento envolveu a bordadeira, arrancou a obra de suas mãos e sem que
ninguém tivesse tempo para nada, levou-o feito pipa para além das montanhas.
A bordadeira pôs-se a chorar.


Depois desse dia...
a bordadeira foi tomada por tamanha tristeza, que acabou adoecendo.
Perdera a vontade de trabalhar, de comer e de falar. Só cantava:

"Quem me trouxe assim de longe
bordados tão delicados?
Quem me deu risos e flores
sem diluir meus pesares?"

Desse modo...
todo final de tarde, seu lamento espalhava-se pela aldeia afora,
enchendo de melancolia o coração das gentes que viviam no lugar.

Um dia...não suportando mais, chamou os filhos;
- Meus queridos, tenho que procurar meu bordado.
- Fique em casa, mãe. Eu vou procurar o bordado em seu lugar
- falou o filho mais velho.
No dia seguinte, ele partiu em direção ao Leste.
A viúva voltou a bordar algums peças e vendia no mercado.
E o tempo passou.

Como não tinha notícias do filho, adoeceu novamente.
O segundo filho saiu à procura do irmão e não mais retornou.
Uma noite, a mulher anunciou que ela mesma
iria atrás dos filhos e de seu bordado.
-Mas, minha mãe!
No seu estado não agüentará andar noite e dia pelas estradas!
- falou o filho caçula.
E partiu.


Dois dias depois, avistou uma cabana.
Uma velhinha apareceu à porta e perguntou o que ele desejava.
- Estou à procura de meus irmãos e de um bordado levado pelo vento.
- falou o moço.
- Dei pousada a seus dois irmãos, porém, antes do dia amanhecer,
eles fugiram em direção contrária, com os saquinhos de ouro que eu lhes
ofereci par alguma eventualidade.
Soube que não pensam mais em voltar para casa.

O jovem ficou indignado com o que ouviu e envergonhado,
não conseguiu reter as lágrimas.
A velhinha falou:
- Em primeiro lugar, é preciso desencantar o cavalo de pedra que
está na entrada da cabana.
Só ele sabe chegar ao bordado.
Com uma pedra, devo arrancar dez dentes seus e implantá-los no cavalo.
Depois terá de comer dez morangos do canteiro e tão logo
faça isso estará prestes a partir.

O rapazinho ficou apavorado.
- Nào forçe seu coração se ele o impede de prosseguir.
Sua mãe compreenderá.- falou a boa velhinha.
E antes de romper o dia, ele anunciou:
- Boa senhora! Quebre meus dentes!
Nào vou abandonar meu caminho! Estou pronto.
Inexplicavelmente nenhuma gota de sangue saiu da boca do rapaz
e a dor cessou assim que o cavalo comeu os dez morangos.
No momento da partida, a velhinha disse ainda:
- Para recuperar o bordado, você terá que vencer também o fogo,
o frio e a violência das águas.
Um único descuido e as chamas o reduzirão a cinzas,
o frio o transformará em estátua e as águas o sugarão para sempre.

Depois de muitos dias de longas lutas contra as labaredas de um vulcão,
revoltas águas do mar,
glaciais temperaturas,
o rapaz chegou ao sopé de uma montanha.......

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ADULTAS

Espetáculo: Cárcere Dia: 06/10/2010 – Quarta-Feira
20horas

Sinopse Cárcere apresenta uma semana na vida de um presidiário que será refém numa rebelião iminente. Ele vive em ritmo de contagem regressiva e suas expectativas, impressões, reflexões e sensações são expressadas por ele num diário que o ator leva para o placo.
Reflexão do Espetáculo Cárcere (e importância social da arte) Na base do projeto CÁRCERE esta a concepção de uma arte popular entendida como uma arte acessível a todos sem procurar ser destinada a um público especifica.
Combinamos os mais diversos elementos: a música, a literatura, a mínica e o teatro em suas varias acepções: erudito, popular, regional. Primamos por tornar a arte simples, sem perder a caráter poético e a erudição, apostando também na sensibilização dos espectadores.
Atrelando a concepção do espetáculo ao processo de difusão cultural, a peça se estrutura sobre a questão de como democratizar o acesso á arte. Sendo assim, a democratização não e apenas um compromisso, mas a própria razão de ser do espetáculo. E isso se dá de diversas formas, seja através de apresentações em contextos físicos e sociais adversos, seja nas parcerias que já foram feitas e que serão feitas por todo pais na viabilização desse acontecimento teatral.


Espetáculo: A Serpente Dia: 07/10/2010 – Quinta-Feira
20 horas

Sinopse Em um mesmo apartamento presenteado pelo pai, duas irmãs vivem com seus maridos em quartos vizinhos. Tendo celebrado seu casamento no mesmo dia em que a irmã, Lígia vê sua relação se desfazer logo na primeira cena da peça, com Décio, seu marido, indo embora de casa sem nunca ter sido capaz de consumar o casamento. Virgem após um ano de casada, abandonada pelo marido, ela entra em desespero e ameaça se jogar pela janela. É Guida, a irmã, quem evita a tragédia oferecendo à Lígia uma noite de amor com seu marido, Paulo. Ambos se envolvem numa paixão repentina e a impossibilidade de viver esse amor as levará a cumprirem destinos incertos.

Espetáculo: Fodorovska Dia:08/10/2010 – Sexta-Feira
20 horas

Sinopse
Utilizando a linguagem de HQs e desenhos animados adultos e mesclando referencias que vão de Gilles Lipovetsky a South Park, esta comédia mostra a festa de comemoração dos 250 anos da Fábrica de Supositórios Brasil, em que a atração principal é uma peça na qual um homem passa seus últimos momentos cercados por personagens como uma mulher que só dorme, um coelho escritor e a estrela pop do Quirquistão Sonja Fodorovska. Fodorovska A comédia mergulha no universo pop ao discorrer sobre um homem que, confinado a uma maca hospitalar, procura uma filosofia que justifique a existência enquanto se vê as voltas com figuras como um coelho escritor, um ser que só desperta do sono para dizer Ich Bin Gott, dois enfermeiros trajados como açougueiros e duas velhas cujo passatempo e contar novidades sobre celebridades mortas.
Para completar, quando o homem morre, descobre-se que essa historia não passa de uma encenação apresentada na festa de final de ano da Fabrica de Supositório Brasil, que ainda terá uma ultima atração: o show de Sonja Fodorovska, estrela do Quirquistão que, vestida como uma coelha da playboy, canta seu famoso Hit Iamblue. So blue Blue.
Por meio dessa narrativa nonsense, o espetáculo dialoga sobre uma sociedade em que as estruturas reguladoras do passado – como a família e a religião – perderam sua força e as ciências não obteve o êxito de proporcionar uma vida mais igualitária, apesar de suas inovações tecnológicas.
Sem a crença nas recompensas da religião e nas promessas da ciência, o individuo voltou-se a idéia de realizar a vida no presente, vivendo em uma época na qual os paradigmas são ditados pela mídia e pelas grandes corporações, que transmitem suas mensagens por meio da publicidade.
Tudo para refletir, de maneira cômica, sobre uma era em que o supérfluo domina os meios de comunicação e a própria comunicação entre as pessoas.



Espetáculo: A Ponto de Partir Dia: 09/10/2010 – Sábado 20horas
Sinopse

Duas mulheres, uma mala e uma revelação, elas mostram ai publico uma coleção de cartões postais e fazem uma viagem por momento de suas vidas. Já escreveram tantas coisas para pessoas que nem sabem mais quem são carregadas de uma doçura venenosa, de tão funda. As historias narradas pelas senhoras idosas estabelecem sensibilidade entre o humor, a saudade e a dor comungados entre as personagens e o publico. A ponto de partir trata de recordações do passado. Uma peça em que as lembranças buscam preencher o vazio da espera. A Ponto de Partir Trata das recordações de suas senhoras idosas. Elas mostram ao publico cartões postais que marcaram momentos se suas vidas, coisas escritas para pessoas que nem sabem mais quem são carregadas de uma doçura venenosa. A peça chama atenção pela sensibilidade criada entre o humor, a saudade e a dor que as protagonistas dividem com o publico ao contar suas estórias. O texto e baseado na obra da escritora Ana Cristina Cesar, mas também conta com inserções de episódios da historia pessoal das atrizes.

Espetáculo: Por quem choram as samambaias Dia: 10/10/2010 – Domingo 20 horas
Sinopse

Por Parsifal do Graal (Nunca Achado!) que – entretempos e em um entrelugar habitado pelo Angélico Trombeteiro, guardião de carreiras e agulhas, de papoulas e cogumelos – viaja pelos desvãos da memória e, entre "xaxins e varandas", revê seus desejos e medos, suas escolhas e justificativas e procura, desesperadamente, retraçar a rota da trombeta pára que ela não toque em Nova York.
Em um lugar "mágico", um homem se depara com seus medos, sonhos e desejos. Em meio a um emaranhado de lembranças e acontecimentos fantásticos, ele vê a sua vida passar como um flash-back e tem a possibilidade de, mais uma vez, escolher qual caminho seguir. O espetáculo trata, principalmente, do livre arbítrio, da memória e capacidade que tem o ser humano de criar desculpas e historias alternativas para justificar escolhas nem sempre bem sucedidas.

INFANTIS

Espetáculo: Zabelê, Caxinguelê e o Romance Perfumado
06/10/2010 – Quarta-Feira
14horas

Sinopse
O espetáculo é contado por dois personagens saltimbancos que levam para o público uma mensagem de amor, sempre de forma bem humorada, suas histórias utilizando bonecos e técnicas de Contação de história, onde um Marinheiro (Caxinguelê) faz promessas e juras de amor à sua Amada (Zabelê) debaixo de um pé de laranjeiras, mas Caxinguelê viaja pelo mundo afora demorando a voltar, o pai da donzela (Zabelê) exige que sua filha faça o casamento, escolhendo os pretendentes para sua ela.
O Teatro de Bonecos e Formas Animadas é a base estrutural e dramática do espetáculo e as técnicas usadas na confecção dos bonecos para este espetáculo são as mais variadas misturando luvas, varas, marotes, teatro de sombra e máscaras numa linguagem acessível para atingir todas as idades desde crianças e adultos a família toda o espetáculo tem duração aproximadamente de 45 minutos.



Espetáculo: Zito, O Espantalho
07/10/2010 – Quinta-Feira 
14horas
Sinopse
Zito, O Espantalho
A estória de Zito, um espantalho que sonha um dia ter poderes; quem sabe ser um rei, e dentro deste sonho, ele se conflita com alguns seres da floresta onde vive.
Lino, uma abelha que representa a liberdade dos seres na natureza e que e proibido do ato mais simples: cheiras as flores que circundam o espantalho. Desta proibição, cria-se a trama principal, onde a mentira e as falsas promessas são personificadas através de Margarete, a bruxa, que pactua com Zito alguns favores, favores estes que tem como motivo, a fuga de seu antigo namorado; Alcebíades, o bruxo bom, e que por ser bom, leva assim a sua amada bruxa a esta fuga desesperada.
Entre poções mágicas, capturas e descobertas, o que fica ao final e que o excesso de poder e mentiras pode levar as pessoas a se tornarem solitárias e muitas vezes desagradáveis.
Mas, como toda estória infantil, fica a chance de que nesta também se tenha um final feliz... Isto se, tudo o que foi prometido for mesmo verdade.


Espetáculo: As Aventuras de Pinocchio
08/10/2010 – Sexta-Feira 
14horas


Sinopse
As Aventuras de Pinocchio
Nessa livre adaptação de Tânia Alonso do clássico do italiano Carlo Collodi, a Cia Girasonhos traz uma proposta Brechtiana para crianças. A concepção do espetáculo utiliza a linguagem de mascaras para brincar de transformação, sem ilusão para o publico. Com trilha sonora original de Márcio Bá e apoiando-se no clássico de Collodi, a adaptação dramatúrgica e cênica propõe um jogo teatral aberto para apreciação e diversão.
Um grande artesão. A realização do sonho da criação: um boneco surpreendente que fala, caminha e... pensa!. Talvez seja nesse ponto o maior conflito de Pinocchio: Até que ponto pensar e agir por si só o torna um menino de verdade? Pinocchio, um boneco feito de madeira que queria ser gente, não conhece os conceitos e valores humanos e age sempre de maneira egoísta e impensada, contando muitas mentiras para conseguir e aquilo que quer e entrando em diversas confusões. Porem, para conseguir alcançar seu grande sonho, ele terá que passar por diversos apuros em suas aventuras e aprender diversas lições a partir de seus próprios erros e acertos, para então, convencer a Fada Azul de que é digno de ser UM MENINO DE VERDADE.